Alma Lusa

CINE TV: A Sibila (RTP1 - 23h05)

Ano: 2023

Realização: Eduardo Brito

Argumento: Eduardo Brito (a partir do romance de Agustina Bessa-Luís)

Fotografia: Mário Castanheira

Música: Athena Corcoran-Tadd (Irlanda)

Produção: Leopardo Filmes (Paulo Branco)

 

Elenco: Maria João Pinho, Joana Ribeiro, Raimundo Cosme, Simão Cayatte, Sandra Faleiro, João Pedro Vaz, Diana Sá, Emília Silvestre, Ricardo Vaz Trindade, Marcello Urgeghe, Madalena Aragão, Rui Neto, Dinis Gomes, Rita Martins, Gustavo Sumpta, Ana Padrão, Valdemar Santos, Mariana Costa, Ricardo Lagartinho Lopes, Francisca Neves, Rodolfo Areias, Luísa Guerra, Ivo Santos, Anabela Faustino, Ivo Alexandre, Daniel Blaufuks, Nuno Preto, Mafalda Lencastre, Sílvia Chiola, Catarina Guedes, Leonor Keil, Paulo Calatré, Pedro Almendra, Nuno Vassouras

 

Sinopse: A adaptação do romance homónimo de Agustina Bessa-Luís retrata a relação entre uma jovem escritora, Germana (Joana Ribeiro), e a sua tia Joaquina (Maria João Pinho), personagens vibrantes inspiradas em figuras reais, a viver no interior norte de Portugal em meados do século XX. Sentimentos de ciúme, admiração e o complexo magnetismo entre duas mulheres fortes são retratados magnificamente pela grande escritora portuguesa no seu livro mais icónico, adaptado ao cinema com grande precisão.

   

 

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Agustina Bessa-Luís nasceu a 15 de Outubro de 1922, em Vila Meã, concelho de Amarante. O Douro, onde viveu a sua infância e aonde voltava durante as férias escolares da adolescência, marcou indelevelmente o seu imaginário romanesco. Começou a escrever muito cedo, ainda adolescente, mas publicou a sua primeira obra de ficção, a novela Mundo Fechado, apenas em 1948. Nessa altura já estava casada e a viver em Coimbra. A partir de 1950, fixou residência no Porto, onde publicou o seu primeiro romance, os Super-Homens. Embora sempre ligada à produção literária, exerceu o cargo de directora do jornal O Primeiro de Janeiro (Porto) e depois de directora do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. Pertenceu à Academia de Ciências de Lisboa, Classe das Letras, tornou-se membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social, da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres de Paris e da Academia Brasileira de Letras. As suas obras revelam uma profunda reflexão sobre a condição humana. É o caso do romance A Sibila (1954), que obteve um êxito considerável, tendo sido objecto de sucessivas edições e vários prémios, como o Prémio Delfim Guimarães (1953) e o Prémio Eça de Queirós (1954), que a consagra como nome cimeiro da novelística contemporânea.

 

Tendo merecido desde as suas primícias o reconhecimento de autores e críticos como José Régio, Óscar Lopes, Eugénio de Andrade, Vitorino Nemésio ou Jorge de Sena, a sua obra viria a ser distinguida com os mais importantes prémios literários nacionais: Prémio Nacional de Novelística, em 1967; Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa, em 1966 e em 1977; Prémio PEN Clube e D. Dinis, em 1980; Grande Prémio do Romance e da Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 1984; e Prémio Cidade do Porto. Prosseguindo a rota desconcertante encetada no início dos anos 50, ao longo de uma obra com já mais de cinco dezenas de títulos, e que se multiplica, de forma multímoda, entre a ficção, o teatro, a crónica, os guiões, a literatura infantil, a bibliografia ficcional de Agustina integra ainda uma série de ensaios romanescos de inspiração histórico-biográfica, como Santo António, Florbela Espanca, Fanny Owen (resultado de um trabalho de pesquisa, fundado em montagens sobre textos de Camilo), Sebastião José, Longos Dias Têm Cem Anos - Presença de Vieira da Silva, Adivinhas de Pedro e Inês, Um Bicho da TerraA Monja de LisboaMartha Telles ou As Meninas, tendo este último sido escrito juntamente com Paula Rego.
 
Publicou ainda, entre muitos outros títulos, O Manto (1966), Canção diante de Uma Porta Fechada (1966), As Fúrias (1977), O Mosteiro (1981), que ganhou o prémio D. Dinis da Casa de Mateus, e Os Meninos de Ouro (1983), que recebeu o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores. O conjunto da sua obra mereceu o Prémio Nacional de Novelística, em 1967, e o Prémio União Latina, em 1997. Vários dos seus romances (entre eles Fanny Owen, de 1979) foram adaptados ao cinema por Manoel de Oliveira. Em Maio de 2002, recebeu pela segunda vez o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores relativo ao ano de 2001, atribuído à obra Joia de Família (2001). Esta sua obra também foi adaptada ao cinema por Manoel de Oliveira, dando origem ao filme O Princípio da Incerteza. Na sequência da trilogia literária iniciada com esta obra, a autora, em 2002, editou um novo romance, desta vez com o título A Alma dos Ricos.

Agustina Bessa-Luís foi distinguida com o prémio Vergílio Ferreira 2004, atribuído pela Universidade de Évora pela sua carreira como ficcionista, e o Prémio Camões 2004. Nesse mesmo ano, editou mais uma obra, com o título Antes do Degelo. A 22 de Março de 2005 foi distinguida, juntamente com o poeta Eugénio de Andrade, com o doutoramento "Honoris Causa", atribuído pela Universidade do Porto durante a cerimónia do 94.º aniversário da sua fundação. Agustina Bessa-Luís morreu a 3 de Junho de 2019, no Porto.
 

   

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